Importância dos Parafusos como Fixadores Temporários
Prof. Valdemir Alves Junior - IFSP - Campus Guarulhos
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Importância dos parafusos como elementos fixadores nos Projetos
Os elementos de fixação têm papel fundamental na montagem, manutenção e desempenho de sistemas mecatrônicos. De acordo com Maestri (2015), eles são responsáveis por manter as peças em posição, absorver forças mecânicas e permitir ajustes ou desmontagens futuras. Em projetos de automação, sua correta seleção é essencial para a segurança e confiabilidade do sistema.
Como destaca Shigley et al. (2011), falhas em parafusos, porcas ou arruelas muitas vezes resultam em danos maiores nos componentes. Por isso, não basta apenas unir partes: é preciso conhecer os requisitos funcionais e estruturais do projeto.
Parafusos devem suportar as forças envolvidas, resistir a vibrações, variações térmicas e ambientes agressivos. Na mecatrônica, é comum usar estruturas modulares e componentes que exigem manutenção frequente, tornando a escolha de elementos de fixação ainda mais relevante.
Tabela de Seleção de Parafusos Métricos
Para facilitar o dimensionamento, utilizam-se tabelas padronizadas com dados como diâmetro nominal, passo da rosca e área resistente. Em uniões estruturais submetidas a cargas alternadas, é preferível usar parafusos de alta resistência com roscas finas. Em contraposição, para sistemas que exigem manutenção constante, é mais eficiente o uso de roscas normais.
Recomenda-se considerar também a disponibilidade de ferramentas, o custo de reposição, e a compatibilidade dos materiais para evitar corrosão galvânica. A escolha correta impacta diretamente a eficiência e segurança do sistema.
Dimensionamento de Parafusos
Diâmetro e Tipo de Rosca
Escolha baseada no tipo de carga
Área Resistente
Diâmetro efetivo para cálculo de tensão
Normas Técnicas
ABNT NBR 6190 e NBR 8160
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Teste de resistência em parafuso.
Parafusos devem ser dimensionados com base na força axial que será aplicada, no tipo de material, e na resistência desejada. Juvinall e Marshek (2013) destacam a importância de considerar a área resistente da rosca (diâmetro efetivo) no cálculo da tensão de tração.
A escolha do diâmetro e do tipo de rosca está diretamente ligada ao tipo de carga. Roscas finas suportam melhor vibrações e têm maior área de contato. Já roscas grossas são mais fáceis de montar e mais resistentes a desgastes.
As normas ABNT NBR 6190 (1995) e NBR 8160 (1999) estabelecem os padrões para dimensões, tolerâncias e tipos de rosca. Usar parafusos fora dessas especificações compromete a segurança do conjunto.
Cálculo de Tensão em Parafusos
O dimensionamento correto de parafusos exige o cálculo da tensão axial a que estão submetidos. A equação básica usada é:
Equação Básica Tensão axial:
Onde é a tensão normal (em MPa), é a carga axial (em N), e é a área resistente da rosca (em mm²).
Conforme Juvinall e Marshek (2013)
Essa área é geralmente menor que a seção do corpo do parafuso devido à geometria da rosca.
Em aplicações estáticas, adota-se um fator de segurança entre 2 e 3. Em condições de carga variável ou vibração, o fator pode ser maior. Fixadores com diâmetros padronizados têm sua área resistente fornecida em catálogos normatizados.
Classe de Resistência dos Parafusos
A classe de resistência dos parafusos, definida pelas normas ISO e ABNT, é representada por dois números separados por ponto, como "8.8" ou "10.9". Esses valores indicam a resistência à tração e ao escoamento do material do parafuso. Segundo a ABNT NBR 8800, esses parâmetros são essenciais para determinar a capacidade de carga segura.
Na classe 10.9, por exemplo, o primeiro número (10) multiplicado por 100 indica a resistência máxima à tração do material, ou seja 1000 MPa. O segundo número (9) representa o limite de escoamento definido como a porcentagem 9 × 10 (90%) dessa resistência à tração, que corresponde a 90% de 1000 MPa: 1000 MPa x 90%(0,9) = 900 MPa de tensão limite de escoamento.
A seleção da classe adequada deve considerar o tipo de solicitação (estática ou dinâmica), a existência de vibrações e o ambiente de operação. Parafusos de classe mais alta, como 10.9 ou 12.9, são indicados para aplicações de alta carga ou segurança crítica, enquanto classes como 4.6 ou 5.8 são adequadas a estruturas leves ou montagens simples.
No cálculo de resistência de um parafuso usando sua classe de resistência, quando devo usar o valor da resistência a tração e quando usar o limite de escoamento?
A resposta é, depende de qual tipo de solicitação o parafuso estará submetido e qual é a situação limite que você quer evitar no projeto.
Use a resistência à tração da classe do parafuso (por exemplo, 800 MPa na classe 8.8) quando:
Você quer verificar o limite absoluto antes da ruptura do parafuso;
Está avaliando falha total, ou seja, ruptura do material;
Em situações excepcionais ou de segurança extrema, para ver até onde o material resiste mesmo que ultrapasse o escoamento.
Nunca se deve projetar com base na resistência à tração como limite de trabalho. Ela só deve ser usada em verificação final ou análise de falha.
Use o limite de escoamento (por exemplo, 640 MPa na classe 8.8) quando:
Você está dimensionando o parafuso para uso em zona elástica, ou seja, sem deformação permanente;
Quer garantir que o parafuso possa ser reutilizado ou não vá sofrer afrouxamento por deformação plástica;
O cálculo envolve repetição de cargas (fadiga) ou há exigência de confiabilidade e manutenção.
Esse é o valor normalmente usado para dimensionamento seguro, aplicando-se ainda um fator de segurança (por exemplo, 2 a 3).
Exemplo Prático de Cálculo de Parafuso
Cálculo de resistâncias com um único parafuso:
Deseja-se fixar uma estrutura que sofrerá uma carga axial de 5.000 N. Considerando um parafuso classe 8.8, qual o menor diâmetro M necessário?
Aplicando a equação e usando o limite de escoamento, temos: σ = F/A. A = F/σ. A = 5000/640 = 7,81 mm² (Se considerar 640 × 10^6, teremos 0.0000078125m²). Consultando a tabela de seleção de parafusos, rosca métrica, o menor valor acima de 7,81 é o do parafuso M4 (8,78 mm²), que atenderia com folga.
Porém, para aplicações sujeitas a vibração ou impactos, recomenda-se não operar próximo do limite. Assim, seria mais seguro adotar um parafuso M6, cuja área resistente é maior. Para aplicações sujeitas a vibração ou impactos, recomenda-se não operar próximo do limite. Assim, seria mais seguro adotar um parafuso M6, cuja área resistente é maior.
Dimensionamento com Múltiplos Parafusos:
Quando uma carga é distribuída entre vários parafusos, o dimensionamento pode considerar a carga individual em cada um. Por exemplo, uma carga total de 12.000 N dividida em 4 parafusos implica 3.000 N por parafuso.
Cada parafuso deve ser dimensionado para suportar essa carga com o fator de segurança adequado. Shigley et al. (2011) recomendam considerar também a distribuição não uniforme, principalmente em uniões sujeitas a momento fletor.
A escolha de fixadores iguais facilita a manutenção e a montagem, desde que todos operem dentro dos limites de tensão e deformação estabelecidos pelas normas técnicas. A resistência à tração do parafuso varia conforme sua classe, por exemplo: classe 8.8 suporta 800 MPa de tensão máxima e 640 MPa de escoamento.
Fatores de Segurança no Dimensionamento de Parafusos
Conceito
O fator de segurança (FS) é a relação entre a resistência do parafuso e a tensão real aplicada durante a operação.
Garantir que o parafuso suporte cargas previstas e imprevistas, evitando falhas prematuras.
FS = Resistência admissível / Tensão atuante.
Por que usar FS no projeto de parafusos?
Compensar incertezas nas cargas reais (estáticas e dinâmicas).
Considerar variações de qualidade do material e fabricação.
Prever desgaste, corrosão e relaxamento da pré-carga ao longo do tempo.
Tensão axial e de cisalhamento: calcular e comparar com limites do material.
Pré-carga adequada: definir torque correto para evitar afrouxamento ou sobrecarga.
Condições ambientais: considerar corrosão, temperatura e lubrificação.
Tipo de carregamento: estático, cíclico, impacto ou combinado.
Normas técnicas aplicáveis
ABNT NBR 8160 – Roscas métricas para parafusos e porcas.
ABNT NBR 6190 – Tolerâncias gerais para parafusos e porcas.
ISO 898-1 – Propriedades mecânicas de parafusos de aço carbono e liga.
ISO 3506 – Parafusos de aço inoxidável.
Boas práticas
Consultar tabelas de torque dos fabricantes.
Usar FS adequados para cada aplicação.
Inspecionar e reapertar em manutenções preventivas.
Adotar métodos de travamento contra vibração (Nyloc, trava-rosca, arruelas específicas).
Cálculo de Torque de Aperto
Torque Ideal
Força de rotação necessária para fixação segura
Coeficiente de Atrito
Influenciado por lubrificantes e acabamento superficial
Ferramentas Adequadas
Uso de torquímetro para aplicações críticas
Vida Útil
Cálculo correto previne falhas por fadiga
O torque de aperto é a força de rotação necessária para fixar o parafuso com segurança. É importante que o valor aplicado esteja dentro de uma faixa ideal: abaixo disso, ocorre folga; acima, risco de falha na rosca.
A relação entre torque e tensão é influenciada pelo coeficiente de atrito, pelo tipo de rosca e pelo acabamento superficial. O uso de lubrificantes reduz o atrito e altera significativamente o torque necessário.
Ferramentas como torquímetro devem ser utilizadas sempre que a especificação de torque for crítica. O cálculo correto aumenta a vida útil do sistema e previne falhas por fadiga.
Seleção de Materiais para Fixadores
A seleção do material do fixador deve considerar resistência mecânica, exposição à umidade, agentes químicos e temperatura. Fixadores de aço carbono são os mais comuns, porém suscetíveis à corrosão.
Para ambientes agressivos, Maestri (2015) recomenda o uso de aço inoxidável, latão ou ligas especiais. Em aplicações onde o peso é crítico, como em robôs móveis, podem ser usados fixadores de alumínio ou plástico.
A compatibilidade entre materiais também é importante para evitar corrosão galvânica. Devem ser evitadas combinações como parafuso de aço em chapa de alumínio, sem isolamento adequado.
Roscas e Normatização Técnica
Geometria da Rosca
Influencia capacidade de carga e precisão
Roscas Métricas
Padrão mais utilizado no Brasil (ABNT NBR 8160)
Padrão UNF
Sistema americano de roscas
Padrão Whitworth
Sistema britânico de roscas
A geometria da rosca influencia diretamente a capacidade de carga e a precisão da fixação. Roscas métricas são as mais utilizadas no Brasil, conforme a ABNT NBR 8160 (1999).
Existem também roscas com padrões UNF (americana) e Whitworth (britânica), que podem causar incompatibilidades se usadas indevidamente. A escolha do tipo de rosca deve respeitar as normas e padrões da indústria local.
Falhas em roscas são difíceis de detectar, podendo comprometer todo o projeto. Por isso, o uso de normas é essencial.
Travamentos e Segurança contra Afrouxamento
Porcas Autotravantes
Possuem elementos que aumentam o atrito e impedem o afrouxamento espontâneo, ideais para ambientes com vibração constante.
Arruelas de Trava
O ressalto (dente) interno se encaixa no eixo. Quando montada, a arruela tem ressaltos externos que são dobrados sobre a porca, causando o travamento .
Adesivos Anaeróbicos
Conhecidos como trava-rosca, preenchem os espaços entre as roscas e endurecem na ausência de oxigênio, criando uma fixação química.
Em uniões submetidas a vibrações ou cargas variáveis, o afrouxamento de parafusos pode causar falhas graves. Existem várias técnicas de travamento para aumentar a segurança das montagens.
Entre os métodos destacam-se o uso de porcas autotravantes, arruelas de pressão, adesivos anaeróbicos (trava-rosca) e parafusos com fenda de segurança. A escolha do método depende do tipo de carga e da frequência de desmontagem.
Sistemas críticos devem prever travamentos redundantes e inspeções periódicas. Em mecatrônica, é comum o uso de trava-rosca em conjuntos de vibração.
Fixadores Especiais e Boas Práticas
Fixadores Especiais e Personalizados
Em algumas situações, os fixadores padrão não são suficientes. Fixadores especiais são projetados para condições extremas de temperatura, pressão, radiação ou espaço limitado.
Fixadores com revestimentos especiais, como zinco-níquel ou teflon, são comuns em indústrias químicas e alimentícias. Parafusos com geometria modificada, como rosca assimétrica ou ponta cônica, também são aplicados em sistemas complexos.
Esses fixadores exigem análises especiais de tensão e validação por protótipo. Devem ser evitados em projetos de baixo custo ou manutenção simples.
Boas Práticas na Montagem com Fixadores
Montagens com fixadores exigem cuidados desde a escolha até a instalação. Devem-se evitar reapertos excessivos, utilizar o torque correto e verificar a limpeza das roscas antes da montagem.
Lubrificantes adequados reduzem atrito e garantem a repartição uniforme da carga. Arruelas devem ser aplicadas em superfícies planas e livres de rebarbas. Em ambientes agressivos, é recomendada inspeção visual periódica.
A montagem correta evita falhas prematuras, melhora o desempenho dos equipamentos e reduz o tempo de manutenção. Boas práticas aumentam a confiabilidade e a vida útil do sistema.